Saber e 

Circunstâncias

 #4 Out 2019

Jornalismo e comunicação na aprendizagem do mundo

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Comunicação e jornalismo
para a mudança social:
que desafios?

Carla Cerqueira                               Sónia Lamy

É doutorada em Ciências da Comunicação – especialidade de
Psicologia da Comunicação pela Universidade do Minho. Actualmente
é investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade
(CECS) e Professora Auxiliar na Universidade Lusófona do Porto. Os seus interesses de investigação incluem género, feminismos, diversidade, media e comunicação de ONGs.

É doutorada em Ciências da Comunicação pela FCSH / Universidade Nova de Lisboa.
Actualmente é directora do Mestrado de Media e Sociedade, do IPPortalegre.
Tem leccionado unidades curriculares
na área do jornalismo e discurso dos media no primeiro e segundo ciclo
de estudos. Tem estudado sobretudo o discurso jornalístico, as fontes de informação e as dinâmicas das ONG nos media.

Desde meados da década de 1990 que tem crescido a atenção sobre a comunicação para o desenvolvimento, bem como a consciência de que a comunicação desempenha um papel fundamental no contexto da mudança social. A comunicação não é um fenómeno externo ou independente da cultura da entidade ou organização e naturalmente que está relacionada e intrinsecamente associada a esta.

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Os filhos bastardos

e o jornalismo sustentável

Vanessa Rodrigues

É jornalista independente, documentarista,
professora na Universidade Lusófona (Porto), onde é também doutoranda em Estudos
em Comunicação para o Desenvolvimento, com
uma investigação sobre Jornalismo e Desenvolvimento Humano. É autora do livro Ala Feminina. Viveu no Brasil - correspondente do DN e TSF - e na Jordânia. Em 2017, recebeu a Bolsa de Criação Jornalística sobre Desenvolvimento.

Há uma resistência generalizada, dentro da classe jornalística, quando falamos de modelos especializados no que tange à abordagem do Jornalismo a temas de Desenvolvimento. São eles uma espécie de filhos bastardos: jornalismo para o desenvolvimento, jornalismo cívico, jornalismo de causas, jornalismo público, jornalismo de direitos humanos, jornalismo social, jornalismo emancipatório, jornalismo de ambiente, jornalismo “ativista”, jornalismo independente, jornalismo global, jornalismo de paz, jornalismo humanitário, jornalismo de ligação, jornalismo de desenvolvimento, jornalismo de interesse público, etc.

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A literatura é para desinquietar

Isabel Lucas

É jornalista e crítica literária. Começou a fazer jornalismo na televisão e passou entretanto pelas redacções de alguns dos principais jornais e revistas portugueses. Freelancer desde 2012, escreve regularmente para o Público,  colabora com a revista Ler, a Antena 1 e Antena 3, e tem publicado em  diversas publicações nacionais e internacionais. Em 2017, publicou Viagemao Sonho Americano. É curadora em Portugal do Prémio Oceanos.

"Enquanto eu estava a trabalhar, às 4:53 da tarde, do dia 12 de Janeiro de 2010, o chão estava a tremer e a matar mais de 200 mil pessoas num sismo de magnitude 7.0 no Haiti. E ainda antes da primeira réplica, havia pessoas a ligar-me e a perguntar: 'Edwidge, o que é que vai fazer? Quando vai voltar? Pode dizer-nos como se sente? Pode escrever-nos 15 mil palavras, ou talvez menos?'." Edwidge Danticat é uma escritora haitiana a viver nos Estados Unidos desde os doze anos, uma emigrante com dupla nacionalidade. Estava em Miami, onde mora, quando a terra tremeu na ilha de onde é originária.

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Manipulação política

A Comunicação para o Desenvolvimento nos seus labirintos

Silvio Caccia Bava

É sociólogo, mestre em ciência política pela Universidade de São Paulo - USP, presidente do conselho de administração da Action Aid Brasil, membro do Conselho Estratégico Universidade-Sociedade da Universidade Federalde São Paulo - UNIFESP, diretor executivo do jornal Le Monde DiplomatiqueBrasil. Foi fundador e diretor executivo do Instituto Pólis e presidente da Associação Brasileira de ONGs por dois mandatos.

Ainda hoje, passado quase um ano das eleições, seus resultados continuam desafiando nossa compreensão. Como foi que a extrema direita venceu? Por que continua havendo na sociedade brasileira a polarização que separou familiares, amigos e vizinhos em dois grupos: os que são pró-Bolsonaro e os que são contra? O que virá pela frente? E, para tornar a questão ainda mais complexa, como explicar o avanço da extrema direita não só em um país, mas, de maneira geral, por todo o planeta?

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Rui Pereira

É professor da Universidade Lusófona do Porto e investigador doutorado na Universidade do Minho. Enquanto jornalista foi, entre outras distinções, galardoado com o Prémio Gazeta de Revelação. É autor de
publicações científicas e de textos para teatro e para a infância, tendo
trabalhos de ensaio e reportagem publicados em, ou traduzidos para,
espanhol, francês, alemão e italiano.

Oriundo, com ligeiras modificações, de uma conferência académica, procura-se neste texto equacionar panoramicamente algumas questões que percorrem a chamada Comunicação Para o Desenvolvimento. Poucas questões nos lançam tão fundamente no coração das coisas do mundo quanto estas, que sintetizamos sob a designação de “Desenvolvimento”. Todos sabemos, de resto, como ele nos concerne, a todos. 

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Do embedded militar ao embedded humanitário - o  Jornalismo actual e as parcerias no terreno de reportagem

Ana Filipa Oliveira

Trabalha na ACEP, desde 2009, onde desenvolve projectos na área da comunicação, advocacia e direitos humanos. É responsável pela elaboração dos recentes relatórios AidWatch, em Portugal. Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra.

No Hotel Babilónia, um livro de memórias e de histórias de conflitos e acontecimentos marcantes do século XX testemunhados por Carlos Cáceres Monteiro (1948-2006), o jornalista explica o quotidiano dos repórteres que cobriam a Guerra do Vietname: circulavam livremente na frente de batalha, recolhiam depoimentos de ambos os lados do conflito e conviviam no sumptuoso Hotel Rex em Ho Chi Minh, nos fins de tarde. Estávamos na era dos correspondentes internacionais, que permaneciam largos meses no terreno de reportagem e não eram percepcionados (até certo ponto) como ameaça ao esforço de guerra.

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A “crise dos refugiados” nos media europeus: alteridades, securitização e desconstrução das alteridades

Rita Santos é investigadora júnior do Centro de Estudos Sociais, onde integra o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP. Foi editora do boletim on-line P@x (2008-2014), a publicação periódica do grupo de trabalho sobre Estudos para a Paz, e coordenadora executiva do OGiVA/CES (2010-2014). É doutoranda em Política Internacional e Resolução de Conflitos, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Tem o grau de Mestre em Estudos para a Paz, pela Universidade de Bradford, Reino Unido, e é licenciada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. 

Rita Santos

Júlia Garraio

Júlia Garraio é investigadora do Centro de Estudos Sociais, onde integra o Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP) e o Observatório POLICREDOS. Observatório da Religião no Espaço Público. Violência, memória, identidade, discurso e representação são conceitos essenciais no seu trabalho. Grande parte da sua investigação, das suas atividades e publicações foi dedicada à literatura e à cultura alemã do século XX. Na sua dissertação de doutoramento estudou a obra do poeta alemão Günter Eich (1907-1972). O seu projeto de pós-doutoramento debruçou-se sobre a memória pública da violação de mulheres e adolescentes alemãs no contexto da Segunda Guerra Mundial. 

Gaia Giuliani

Gaia Giuliani é investigadora permanente do CES (2018-), Professora Associada em Filosofia Política (Itália: ASN 2017), membro fundador de InteRGRace - Interdisciplinary Research Group on Race and Racisms (2014-) e membro dos Conselhos Cientificos da revista internacional "Socioscapes. International Journal of Societies, Politics and Cultures". Doutorou-se na Universidade de Turim (2005) e realizou pós-doutoramentos na Universidade de Bolonha (2007-2009), na Universidade de Tecnologia de Sydney (2009-2010) e no Centro de Estudos Sociais (CES) - Universidade de Coimbra (PT) (2015-2018).

Sílvia Roque

Sílvia Roque é, desde 2008, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, tendo sido investigadora júnior entre 2005 e 2007 no mesmo centro. É ainda Professora Auxiliar Convidada do Mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE-IUL desde 2017. Doutorada em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2014), recebeu, em 2015, o Prémio CES para Jovens Cientistas Sociais de Língua Portuguesa pela sua tese de doutoramento.

Sofia José Santos

Sofia José Santos é Investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde coordena o projeto DeCodeM como Investigadora Principal. Dentro do CES, é também investigadora e coordenadora de comunicação do Promundo-Portugal, co-editora do Alice News e co-coordenadora do NHUMEP. Desde 2016, integra como Investigadora Associada o Centro de Investigação OBSERVARE da Universidade Autónoma de Lisboa. É doutorada e mestre em "Política Internacional e Resolução de Conflitos" pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e licenciada em Relações Internacionais pela mesma universidade, tendo também um diploma de Estudos Avançados em "Ciências da Comunicação" pelo ISCTE-IUL. 

O controlo da linguagem tem sido um elemento incontornável na legitimação das atuais respostas europeias à chamada “crise
dos refugiados” e que, apesar de estas se apresentarem como solidárias e humanistas, pretendem sobretudo desencorajar migrantes
a atravessar o Mediterrâneo, criando um ambiente hostil que os/as deixa a morrer no mar. Da mesma forma, esta mesma política
europeia permite que aqueles/as que, dispondo de meios, se arrisquem à prisão por tentarem impedir essas mortes. 

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A comunicação pode ajudar a mudar mentalidades e  comportamentos - um exemplo de S. Tomé e Príncipe

Dicionário de ideias e imagens feitas

Fátima Proença

Nasceu em 1964. Trabalha e vive entre Lisboa e S. Tomé e Príncipe, onde começou a trabalhar em Comunicação para
o Desenvolvimento. Trabalha regularmente para a imprensa. Publicou vários livros e o seu trabalho como fotógrafa está representado em várias colecções públicas e privadas. Foi realizadora e correalizadora de vários documentários, alguns deles premiados. Em 2005, com Kiluanje Liberdade, funda a Produtora NO LAND.

Um cartaz colocado à beira da estrada, em Neves, noroeste da ilha de S. Tomé, refere--se ao “Projecto de Demo[n]stração para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos na Bacia do Rio Provaz”, apelando a que a população (ou quem o lê) “Ajude a salvá-lo para o bem das pessoas e da cidade”. Como? Não ficamos a saber. Porquê? Também não se sabe. 

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Directora da ACEP, intervém desde a década de 80 na cooperação não governamental. Tem dinamizado processos de investigação/acção em África e de advocacia na
sociedade portuguesa, em colaboração com pessoas e organizações da sociedade civil europeias e africanas.

Ajuda: acto de ajudar, auxílio, favor (in
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).
“Ajuda” vem progressivamente substituindo
a palavra “Cooperação” na linguagem
“técnica” das relações internacionais,
consagrando a assimetria nas relações de
poder como algo natural, não questionável.
Alguém ajuda quem? A troco de quê?
São – entre outras – perguntas que não se
colocam.

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Inês Gonçalves

 

 #3 Jan 2019

Cooperação para o Desenvolvimento: Interesses nacionais

ou agenda do bem comum?

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Cooperação portuguesa: 6 propostas (entre outras) para debate
Espaço político, ética, ONGD , sector privado, conhecimento e opinião pública

pelo Conselho Editorial

ESPAÇO POLÍTICO
ÉTICA
ONGD

O espaço político, entendido no sentido lato de “campo social de reflexão e ação onde todos os atores intervenientes têm poder efectivo de realizar pactos e acordos” (definição inspirada em Hanna Arendt, Qu‘est-ce la politique, Seuil, edição 2014), de uma área de governação ou de uma área social, pode contrair-se ou expandir-se conforme a situação política, económica e social do país.

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A ética, a moral, os valores e os princípios são conceitos que não reúnem consenso, sendo, no entanto, consensual a sua importância. Ou seja, faz parte da condição humana procurar a coerência e fugir do caos das acções não pensadas, com razões parciais ou sem outra razão que o facto de poderem ser feitas naquele tempo e espaço.

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As primeiras iniciativas de “cooperação internacional solidária” foram promovidas ainda em 1974, pelo então Centro de Informação e Documentação Anti-Colonial (CIDAC). A participação em “questões internacionais” tornou-se possível com o reconhecimento pleno dos direitos de cidadania em Portugal, estruturando-se a par da transformação das relações externas.

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SECTOR
PRIVADO
CONHECIMENTO

O sistema internacional de Cooperação para o Desenvolvimento encontra-se atualmente num período de transformação. Fala-se de um futuro “pós- APD” (Ajuda Pública para o Desenvolvimento). Este debate centra-se em quatro dimensões centrais que têm contribuído para uma erosão da importância da APD dentro da arena da cooperação para o desenvolvimento...

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Em 1974, num tempo marcado pelo processo negocial da descolonização, as primeiras entidades estatais criadas com o propósito de definir e implementar políticas de cooperação com os países africanos de língua portuguesa, definiram o ensino superior e a ciência como sectores-chave.

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OPINIÃO
PÚBLICA

Partimos do pressuposto que a preocupação com a formação da opinião pública, por parte
do campo alargado da cooperação para o desenvolvimento, tem por objectivo a “aprendizagem do
mundo” (P. Freire, 1972)...

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O interesse nacional na Ajuda

ao Desenvolvimento: Quando é

que a Cooperação para o Desenvolvimento é “win-win”?

Porque é que os países investem

em ajuda ao desenvolvimento

internacional? Pergunte à Noruega.

E à China.

Owen Barder

Nikolai Hegertun

Dan Banik

É vice-presidente do Centro para o Desenvolvimento Global no Reino Unido (CGD), professor visitante na London School of Economics (LSE) e assessor do Comité para o Desenvolvimento Internacional do Parlamento
Britânico. Entre 1998 e 2010 foi funcionário público, tendo desempenhado vários cargos, como o de Diretor de Finança Internacional e Eficácia do Desenvolvimento Internacional do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID).

Professor no Centro para a Demo-cracia, o Desenvolvimento e o Estado de Direito (CDDRL) da Universidade de Standford e no Centro para o Desenvolvimento e o Ambiente (SUM) da Universidade de Oslo. As suas áreas de interesse incluem a pobreza, a desigualdade, a democracia, os direitos humanos e a segurança alimentar. Foi presidente do Fundo Fiduciário para o Desenvolvimento Ambiental e Socialmente Sustentável (TFESSD) do Banco Mundial.

Licenciado em Cultura e Comunicação e mestre em Estudos para a Paz e Conflito pela Universidade de Oslo. Foi gestor de projectos no think thank Civita e coordenador e consultor de projectos no The Oslo Center. Actualmente, pertence ao conselho directivo da empresa Kolibri Kapital. Interessa-se pelas temáticas das migrações internacionais, relações internacionais, políticas públicas para o desenvolvimento e ajuda externa.

Alguns fundamentalistas da área do Desenvolvimento internacional defendem que a Ajuda ao Desenvolvimento nunca deveria estar ligada, de forma directa, ao interesse nacional. No extremo oposto há quem defenda – inclusive o Tesouro do Reino Unido – que toda a Cooperação para o Desenvolvimento deveria assentar numa abordagem “win-win”,
ou seja, ser vantajosa para os dois lados. Ambas as perspetivas, situando-se em campos opostos, estão perigosamente erradas: a verdade está no meio.

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Quanto valem os actos de generosidade nas relações internacionais? No caso dos países mais ricos, a ajuda externa contribuiu para disseminação do seu poder e influência. Em parte, os financiadores concedem ajuda externa porque lhes traz benefícios.

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Um olhar sobre os profissionais

da indústria do desenvolvimento

Cooperação Portuguesa: o desinvestimento na APD bilateral
como alteração do compromisso com o financiamento do Desenvolvimento?

Katia Taela

É antropóloga feminista, investigadora e consultora, tendo trabalhado com diversas organizações nacionais e internacionais em Moçambique. Doutorada em Estudos de Desenvolvimento, pelo Institute of Development Studies da Universidade de Sussex, na Inglaterra. As suas áreas de investigação incluem histórias de vida de profissionais de desenvolvimento, relações Sul-Sul, práxis feminista e relações sociedade-Estado.

A maioria das análises sobre “Cooperação para o Desenvolvimento” concentram-se nas estruturas, políticas, culturas e intervenções das organizações de desenvolvimento,
negligenciando os indivíduos envolvidos em fazer a indústria da cooperação funcionar ou então representando-os como simples tecnocratas que operam dentro de normas e práticas institucionalizadas.

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Ana Filipa Oliveira

Luís Mah

Trabalha na ACEP, desde 2009, onde desenvolve projectos na área da comunicação, advocacia e direitos humanos. É responsável pela elaboração dos recentes relatórios AidWatch, em Portugal. Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra.

Professor e investigador no ISEG/  ULisboa. Foi diretor da Campanha do Milénio da ONU e da Chamada Global para a Acção Contra a Pobre-za em Portugal. Doutorado em Estudos de Desenvolvimento pela London School of Economics e mestre pela Universidade de Yonsei. As suas áreas de especialização são Economia
Política Internacional da APD, Comér-cio e Finança, Desenvolvimento da Ásia Oriental e Política Externa da UE.

As regras de jogo definindo a prática na arena da cooperação internacional nos últimos 50 anos pelo grupo de países doadores mais ricos reunidos no CAD/OCDE passam actualmente por um período de redefinição. A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) tradicional (subsídios e empréstimos concessionários) tem estado no centro da cooperação internacional, porém está em curso a sua redefinição...

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Da solidariedade à estruturação de mercados geoestratégicos e propagação do neoliberalismo em África – a cooperação para o
desenvolvimento nos PALOP

Miguel de Barros

O percurso da Cooperação para

o Desenvolvimento e a actuação das ONG – Reflexões, desafios

e oportunidades numa Angola

em mudança

Sociólogo, editor e investigador guineense. É co-fundador do Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral (CESAC) e membro do Conselho de Pesquisa para as Ciências Sociais em África (CODESRIA). Desde 2012, é director executivo da ONG guineense Tiniguena – Esta Terra é Nossa!, uma das mais antigas e importantes do país. Recentemente foi distinguido com o prémio panafricano humanitário em “Leadership in Research & social impact”.

A visão de desenvolvimento económico, baseada na implementação de um modelo de economia extractivista com foco na exploração de matérias-primas e alicerçada na racionalidade de crescimento, levou à implantação da expansão colonial e gerou dominação de territórios, povos e desagregação de sociedades, mas foi sobretudo marcada pela violência.

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Belarmino Jelembi

Angolano, director geral da ONG angolana
ADRA. Iniciou o seu percurso académico em
agricultura, virando-se mais tarde para o Direito
e desenvolvimento local. Com mestrado em Ciências Jurídico-Económicas e Desenvolvimento e pós-graduações em várias
áreas, mantém dedicação à investigação nas áreas do pluralismo legal, segurança alimentar e poder local, além da ligação ao mundo académico e científico, e à publicação de artigos em jornais e revistas.

A Cooperação para o Desenvolvimento aporta uma diversidade de entendimentos que têm sido objecto de um debate intenso desde o fim da segunda guerra mundial. Passando pela literatura observa-se que não há uma definição única, apesar de verificar-se um traço marcante, que são os fluxos de recursos de uns países para outros.

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Sororidade: Ou, como caminhar ao lado de alguém

Pedro Moura

É crítico e investigador de banda desenhada, escrevendo sobretudo nos blogues www.lerbd.blogspot.com e www.yellowfastandcrumble.wordpress.com. O seu primeiro livro de banda desenhada, Os Regressos, em co-autoria e desenhos de Marta Teives, foi publicado recentemente pela Polvo.

Gostaria de iniciar este texto com uma sentida homenagem a António Dias de Deus, que faleceu no passado Novembro, e que nos deixou não apenas o melhor volume sobre a história da banda desenhada portuguesa até à data – Os Comics em Portugal. Uma história da banda desenhada (Cotovia/Bedeteca de Lisboa, 1997) – como encetou, de forma séria, o estudo histórico e balizado desta arte no nosso país.

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 #2 Jun 2018

Inovação: imaginar novos percursos para o desenvolvimento

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Economia criativa: nas intersecções entre arte, cultura, design, tecnologia e inovação

O caminho que temos
pela frente: desenvolvimento
como inovação

Geoff Mulgan

Tânia Santos

Orlando Garcia

É director executivo do Nesta desde 2011. Entre 1997-04, assumiu vários cargos governativos, nomeadamente o de director da Unidade Estratégica do Governo e chefe de política do Gabinete do Primeiro-Ministro britânico. De 2004-11, foi director executivo da The Young Foundation. Foi jornalista na BBC (TV e rádio) e professor na London School of Economics, UCL e Universidade de Harvard,
sendo actualmente professor em Harvard.

Porque é que a inovação importa para o desenvolvimento? Neste ensaio, sugiro algumas respostas. Procuro demonstrar porque é que a inovação está cada vez mais a ser entendida como parte integrante de qualquer processo de desenvolvimento. O desenvolvimento não implica apenas a sua adopção; também envolve a adaptação activa e o estímulo de novas ideias. Demonstro o porquê deste reconhecimento ter despertado grande interesse no papel das instituições para a inovação em países em desenvolvimento, não só na ciência ou tecnologia, mas também na sociedade e governo. Sublinho o papel que a inovação poderá ter na reanimação da indústria do desenvolvimento que enfrenta vários desafios e críticas. Finalmente, termino com uma reflexão sobre a relação entre inovação e liberdade.

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Doutoranda em Sociologia Política na
Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil), trabalha no sector da
cooperação internacional desde 2004. É membro da Direcção da Associação para a Cooperação Entre os Povos e tem experiência de trabalho com associativismo migrante, na pesquisa sobre recursos e modelos de financiamento internacionais para ONG e ainda na investigação sobre temáticas internacionais.

Sociólogo, investigador e “engenheiro
social”. Trabalha regularmente em planeamento social e na operacionalização de programas em
rede e em parceria. Cofundador, Presidente da Mesa da AG e ativista do Chapitô. Docente do Ensino Superior nas áreas da Intervenção Social. 40 anos de experiência em
Cooperação para o Desenvolvimento
com 37 missões realizadas (em todos os países da CPLP). Diversos livros, artigos e relatórios editados.

O conceito de economia criativa surge no início do século XXI, no contexto das discussões sobre as transformações sociais e económicas decorrentes da centralidade das tecnologias da informação e comunicação, e do conhecimento, nos processos de produção, evidente a partir do final da década de 1990. “Indústrias criativas”, “indústrias culturais”, “cidades criativas”, “classes criativas” são conceitos próximos, considerando que as intersecções entre arte, cultura, design, tecnologia e inovação são transversais a todos. Nesse contexto, Hawkins (2001) entende que na economia criativa as ideias constituem recursos fundamentais na produção de bens e serviços com elevada componente de inovação, quer reinventando o que já existe quer criando o novo. A criatividade, podendo ser introduzida em algumas ou todas as dimensões do processo económico, desde a criação, produção, distribuição, à comercialização, apresenta-se assim geradora de valor. 

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A inovação e assistência
humanitária. O caso das
transferências monetárias

Vitor Serrano

Agrónomo com mestrado em gestão de terras e águas (Reino Unido). Dez anos de academia em Angola iniciaram uma carreira profissional continuada depois em programas de desenvolvimento e, na última década em assistência humanitária. Esta actividade em cooperação internacional teve lugar em vários continentes e múltiplos países trabalhando para governos, Nações Unidas e UE.

A erradicação da pobreza e a promoção da prosperidade requerem mudanças substanciais nas abordagens tradicionais, com o Secretário-Geral das Nações Unidas a referir recentemente que sem inovação, uma que sirva todos e não apenas uns poucos, não é possível ultrapassar os desafios actuais. A inovação é hoje uma área específica nos sectores do desenvolvimento e humanitário, combinando tecnologias com abordagens centradas no utilizador e mudanças comportamentais. O reconhecimento do seu papel crucial transformador e acelerador de mudanças no sistema humanitário traduziu-se na inclusão da inovação como uma das 4 temáticas na Cimeira Mundial Humanitária CMH (2016).

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Hipotisando um novo espaço público através de evidências no comentário criativo social nas redes sociais em Moçambique

Carmeliza Rosário

Euclides Gonçalves

É doutoranda em Antropologia Social pela Universidade de Bergen, Noruega, onde desenvolve pesquisa sobre a memória de mulheres de poder e autoridade na Zambézia. Tem também desenvolvido pesquisa sobre pobreza, género e desenvolvimento. Actualmente, em associação com a Kaleidoscópio, integra o grupo de trabalho que explora a intercecção entre tecnologia, inovação e produção de conhecimento.

É antropólogo e diretor da Kaleidoscopio - Pesquisa em Políticas Públicas e Cultura. Doutorado em Antropologia pela Universidade de Witwatersrand, as suas áreas de pesquisa incluem a governação, processos burocráticos e rituais políticos. Trabalhou como assistente de programas no CODESRIA (Senegal). O seu trabalho em curso examina os encontros dos cidadãos com o poder burocrático público. 

A penetração da internet em África permanece baixa, com cerca de 28% e a penetração do Facebook representando cerca de um terço.1 A penetração em Moçambique está estimada em apenas 6%, e uma percentagem semelhante para os utilizadores do Facebook. A maioria destes utilizadores do Facebook, acredita-se que o acedem através de telefones móveis.

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Black Panther: deitar abaixo
os obstáculos de imaginar
outra coisa

Luces para Aprender (LpA)
Iniciativa regional iberoamericana a favor de la mejora de la calidad educativa de las escuelas rurales

Pedro Moura

É crítico e investigador de banda desenhada,
escrevendo sobretudo nos blogues www.lerbd.blogspot.com e www.yellowfastandcrumble.wordpress.com. O seu primeiro livro de banda desenhada, Os Regressos, em co-autoria e desenhos de Marta Teives, foi publicado recentemente pela Polvo.

Sou, regra geral, um optimista. Caso contrário, não conseguiria enfrentar os dias, ser professor, ou acreditar fazer sentido trazer crianças ao mundo. Mas nessa sub-cave da realidade virtual – os comentários da internet – dou de caras com as realidades mais sombrias que a humanidade nos reserva. A propósito do trailer do filme Black Panther no youtube, alguém escreveu o seguinte: “uma nação africana isolada e tecnologicamente avançada? Alguém está a brincar comigo, não é?”

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Angélica Páez

Trabalha na Secretaria Geral da Organização
de Estados Iberoamericanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI) desde 2008. Tem experiência profissional de 13 anos em países como a Colômbia, a República Dominicana e Espanha, na área da cooperação para o desenvolvimento em educação. Licenciada em Direito pela Universidade Pontifícia Javeriana
(Colômbia), é mestre em Cooperação Internacional Descentralizada.

El programa Luces para Aprender (LpA) es una iniciativa promovida por la Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI)1, y fue aprobado en el año 2011 por los ministros de educación de los países iberoamericanos en la XXI Conferencia Iberoamericana de Educación realizada en Asunción, Paraguay, en el marco de las Metas Educativas 20212.

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O papel das multinacionais nas políticas de igualdade de género

Marianna Leite

Advogada, ativista, feminista, especialista
em género e desenvolvimento. A sua experiência no Direito é abrangente. No entanto, ao longo dos últimos anos dedicouse
primordialmente à interseccionalidade em
especial no que tange às questões de direitos
humanos e políticas públicas na América Latina. Actualmente, investiga o impacto das corporações multinacionais no conceito de igualdade de género sob o prisma do pluralismo jurídico.

Como é que o conceito de igualdade de género é afectado e/ou prejudicado pelas corporações multinacionais? As teorias do pluralismo jurídico estabelecem que as normas legais têm fontes plurais, são relacionais e não estáticas (Engle Merry, 1981; 1992). À luz das teorias do pluralismo jurídico, é possível afirmar que o Direito Internacional dos Direitos Humanos é tão afectado pelas esferas oficiais do saber como por ordens jurídicas não oficiais. Dado o crescente poder das corporações multinacionais como atores nãoestatais, é importante mapear as mudanças sofridas e promovidas por estas em matéria de princípios e conceitos do Direito Internacional dos Direitos Humanos.

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 #1 Jan 2018

A propósito de fragilidades e complexidades do desenvolvimento

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Uma resposta mais eficaz
à “fragilidade do Estado”

A complexidade da cooperação
para o desenvolvimento,
as críticas e as alternativas

James Putzel

Ana Larcher Carvalho

É professor de Estudos de Desenvolvimento e coordenador da Crisis States Network na London School of Economics. Tem desenvolvido pesquisa sobre a reforma agrária, o capital social, a economia política do desenvolvimento e os Estados em crise ou em situação de fragilidade. É autor de diversos artigos e publicações, das quais se destaca A Captive Land: the Politics of Agrarian Reform in the Philippines.

Doutorada pelo Imperial College London, é Professora do ISCTE-IUL em Estudos Africanos e Estudos de Desenvolvimento e investigadora no CEI-IUL. Trabalha sobre transformações nas sociedades agrárias africanas, dinâmicas dos conflitos, economia, cooperação internacional e mudança social. Tem sido consultora de organizações internacionais e várias ONG. Anima um blog sobre a Guiné-Bissau. 

Ao longo das últimas duas décadas as organizações internacionais de desenvolvimento e as agências bilaterais de cooperação focaram-se crescentemente no que ficou conhecido por “Estados frágeis”- um conjunto de Estados no mundo em desenvolvimento que passou por guerras e conflitos violentos. Em 2016, a Organização para a Cooperação Económica (OCDE) publicou dados que indicam que 67 % de toda a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) teve como destino os agora denominados “contextos frágeis”. Não é difícil encontrar consequências devastadoras do colapso do Estado e dos conflitos resultantes, mesmo nos países com maiores níveis de riqueza e de segurança da Europa, América do Norte e Ásia, como a afluência às nossas costas de refugiados do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria ou Sudão do Sul. 

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A cooperação para o desenvolvimento é um campo complexo e em constante debate, desde o fim dos anos 40, quando começou a tomar forma o projecto de desenvolvimento, na sua matriz moderna, até ao presente. É certo que a ideia de desenvolvimento, como visão de um mundo melhor e de possibilidade de melhoria das condições de vida no mundo e dos povos, é muito antiga. Mas é a forma como este conceito é interpretado que levanta questões e críticas. 


Subjacente a este conceito, aparentemente universal, está, de acordo com algumas perspectivas críticas, uma certa visão do mundo, que coloca as sociedades industrializadas ocidentais no topo de um processo evolutivo. 

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Reconciliação e Justiça

de Transição na Guiné-Bissau

Renovar o Compromisso
com a Guiné-Bissau

Sara Guerreiro

Augusta Henriques

Fátima Proença

Mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira jurídica na Marinha Portuguesa e foi docente na Faculdade de Direito de Bissau, durante 3 anos. Actualmente reside em Washington, onde trabalha a tempo parcial com o Instituto de Coaching e Diversidade, e faz viagens frequentes a Bissau, onde se encontra envolvida em vários projectos de Desenvolvimento.

O presente artigo é elaborado com base no Relatório sobre Justiça de Transição que a autora apresentou em Março de 2017 ao Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS). O mesmo contém um sumário das principais conclusões da autora – descritas em pormenor no referido relatório – após o simpósio de Fevereiro de 2017, denominado “Enfrentar o passado para construir a Guiné-Bissau de amanhã” (em kriol: Nó nfrenta passado pa no kumpu Guiné-Bissau de amanhã). Este seminário foi promovido pela Comissão para a Organização da Conferência Nacional “Caminhos para Paz e Desenvolvimento” (COCN), com o apoio da UNIOGBIS. O conteúdo do mesmo é da exclusiva responsabilidade da autora e não reflecte a visão das instituições nele citadas.

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Iniciou carreira profissional na Guiné-Bissau pós-independência, trabalhando na educação de adultos, sob orientação do pedagogo Paulo Freire. Foi directora do Instituto de Coordenação da Ajuda Não-Governamental Solidami e participou na criação das primeiras ONG guineenses, sendo fundadora da Tiniguena. É especialista em processos participativos, e tem investigado sobre o trabalho em rede no sector não-governamental.

Directora da ACEP, intervém desde a década de 80 na cooperação não governamental, nomeadamente com instituições guineenses, tendo coordenado a Rede de Solidariedade com a Guiné-Bissau durante o conflito de 1998/99. Tem dinamizado processos de investigação/acção em África e de advocacia na sociedade portuguesa, em colaboração com pessoas e organizações da sociedade civil europeias e africanas.

Licenciada pela Faculdade de Direito de Lisboa, é consultora de organizações internacionais. Na Guiné-Bissau, coordenou projectos de desenvolvimento na área da educação, desenvolvimento comunitário e boa governação. Em Angola, foi responsável de programas do BAD. Foi ainda Secretária Executiva da Plataforma das ONGs da Guiné-Bissau e é coordenadora da MIGUILAN (Movimento de Mulheres da Guiné-Bissau).

Nelvina Barreto

Este texto foi extraído do documento de preparação da 3.ª Conferência das ONGs que intervêm na Guiné-Bissau, realizada em Bissau, de 27 a 29 de Setembro de 2017. Tratou-se de uma iniciativa das ONGs que integram o consórcio da Casa dos Direitos – ACEP (de Portugal) e AMIC, LGDH, RENAJ, RENARC, RENLUV e TINIGUENA (da Guiné-Bissau), que se inscreve na preocupação de procura de melhores condições de concertação e de valorização do trabalho de várias gerações de ONGs, nacionais e estrangeiras, permitindo favorecer um diálogo sobre políticas e uma estratégia de intervenção no desenvolvimento e na promoção dos direitos humanos mais profícua e eficaz.


Duas das três autoras fizeram parte da equipa responsável pelo estudo-diagnóstico sobre Experiências de redes colaborativas de ONGs na Guiné-Bissau, realizado em 2016 e que foi um passo importante no processo da conferência. 

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