por Carmeliza Rosário

No seu livro International Aid and
the Making of a Better World
, Rosalind
Eyben propõe-se, através da sua
experiência pessoal, reflectir de modo
crítico sobre as práticas de ajuda e
cooperação internacional. A formulação
do título sugere que o único fim para a cooperação internacional é o de melhorar o mundo. Como originária de um país beneficiário de apoio, o meu entendimento é que nem sempre o apoio internacional leva a um mundo melhor ou tem sequer essa intenção. Ao invés disso, é sentido como uma imposição de dinâmica perversa e insensível às perspectivas daqueles a quem se propõe ajudar. Como tal, foi com suspeição que iniciei a leitura esta
obra, temendo um excesso de naivitë 
por parte da autora.

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por Maria Hermínia Cabral

A leitura dos livros de Serge Michailof – “Notre Maison Brûle au Sud: que peut faire l’aide au development?” (2010) e “Africanistan: L’Afrique en crise va-t-elle se retrouver dans nos banlieues?” (2015) – dão-nos, de um modo bastante fundamentado, argumentos para uma reflexão sobre o presente e o futuro da cooperação para o desenvolvimento.

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por Ana Filipa Oliveira

Entre as várias publicações de referência em matéria de advocacy e de investigação na área da Cooperação para o Desenvolvimento, existem dois documentos que se destacam: o Relatório Anual AidWatch, produzido pela Confederação das ONG Europeias (CONCORD Europe), e o Relatório Bienal da Reality of Aid (RoA), uma rede constituída por Organizações da Sociedade Civil (OSC) à escala global.

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por Ana Luísa Silva

por Alexandre Abreu

Ross Baird é um empreendedor americano que, em 2009, lançou a Village Capital, um fundo de investimento de impacto (impact investing) com uma particularidade: a selecção das startups para investimento inicial é feita pelas próprias startups, num modelo de seleção pelos pares inspirado no conceito de village bank, tradicionalmente usado nas microfinanças. Uma das razões que levou os fundadores da Village Capital a desenvolver esta metodologia foi a constatação das limitações do atual sistema de inovação, do ponto de vista do capital de risco. São essas mesmas limitações, a sua análise e proposta de reforma que estão na origem do livro The innovation blind spot: why we back the wrong ideas – and what to do about it.

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A cooperação internacional para o desenvolvimento vive tempos contraditórios. Por um lado, vive-se ainda o entusiasmo da fase inicial da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, cujos 17 Objetivos expressam aspirações ainda mais abrangentes e ambiciosas do que foi o caso com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Por outro lado, especialmente nos países doadores tradicionais, a cooperação para o desenvolvimento vê-se confrontada com um conjunto de constrangimentos resultantes de processos mais amplos, que vão das restrições orçamentais na ressaca da Grande Recessão à ascensão de posições políticas nacionalistas e xenófobas.

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por Orlando Garcia

Para apresentar este fascinante Catálogo (345 pags em tamanho A3), há que começar com um aviso prévio: esta obra não é fácil de encontrar na sua versão em papel. Foi uma sorte tê-lo encontrado, por mero acaso, na sua edição em espanhol, na livraria do Guggenheim Bilbao. Melhor sorte teria sido apanhar a exposição que lhe deu origem e que ainda se encontra no circuito das Exposições Temporárias no universo das Artes. Inaugurou em 2015, perto de Basileia, na sede do Vitra Design Museum, que a organizou e promoveu, esteve depois em Bilbao, em Barcelona e em Roterdão e encontra-se agora nos Estados Unidos. Por enquanto, o catálogo-livro anda no curto circuito – para lhe ter acesso é necessário andar “à caça”. É possível aceder a parte substancial dos conteúdos em: “makingafrica.net/exibition/” e noutras entradas imediatamente detetáveis.

 

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por Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques

O livro “Civic Tech in the Global South”, de Tiago Peixoto e Micah Sifry, constitui um manual único tendo em conta a sua importância na projecção eficaz da denominada “tecnologia cívica”, a tecnologia usada para capacitar cidadãos ou tornar o governo mais acessível, eficiente e eficaz. Reunindo pesquisas que se focam nos impactos da tecnologia e a resposta dos líderes, o livro de Peixoto e Sifry, com o contributo de outros autores, resulta na primeira análise empírica sistemática do impacto resultante das tecnologias para o envolvimento dos cidadãos no processo de tomada de decisão governativa no hemisfério sul.

 

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por Livia Apa

por Mamadou Ba

por Livia Apa

No dia 17 de Março de 2016, o escritor congolês Alain Mabanckou proferiu uma aula magistral em qualidade de professor convidado no Collège de France. O título escolhido foi Lettres noires: des ténèbres à la lumière, que, na altura, suscitou não poucas polémicas mas foi, ao mesmo tempo um grande sucesso em termos de audiência. No mês de Maio do mesmo ano, Mabanckou organizou em Paris o debate Penser et écrire l’Afrique aujour’hui convidando algumas das vozes mais representativas da mais recente e inovadora reflexão sobre o continente africano, cujos textos foram reunidos recentemente num livro com o mesmo título.

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Afrotopia é uma obra que tem como objectivo, por admissão do seu próprio autor, o economista senegalês Felwine Sarr, criar uma utopia activa que parte do continente africano, capaz de superar, por um lado, o afro-pessimismo e, por outro, também de fugir de uma recente narrativa afro-otimista que vê o continente africano como um novo espaço de oportunidades e futuro.


Afrotopia é um projecto: o de promover uma reflexão endógena à volta do futuro político, económico, social e cultural de uma África capaz de ser metáfora do seu projecto de futuro. 

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Achille Mbembe, historiador, filósofo, professor de Ciência Política é, seguramente, dos mais proeminentes intelectuais de momento, de uma prodigiosa capacidade de pôr em diálogo quase todas as disciplinas teóricas na produção e reprodução de saberes, num quadro de uma disputa epistemológica que procura recentrar e redefinir o lugar e o papel do processo histórico colonial na contemporaneidade das sociedades colonizadas e colonizadoras. Este esforço clama por uma ruptura definitiva com a continuidade histórica que ainda impregna a relação imperialista do ocidente com o resto do mundo, nomeadamente África.

 

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por Nelvina Barreto

O estudo sobre Quarenta Anos de Impunidade na Guiné-Bissau, coordenado por Pedro Rosa Mendes e editado pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) e a Associação para a Cooperação Entre os Povos (ACEP), começa com uma definição da impunidade como “ausência, de direito ou de facto, de responsabilidade penal dos autores de violações, bem como da sua responsabilidade civil, administrativa ou disciplinar, na medida em que estes escapam a todas as tentativas de investigação tendentes a possibilitar a sua acusação, a sua detenção, o seu julgamento e, no caso de serem considerados culpados, a sua condenação a penas apropriadas, incluindo a de reparar o dano sofrido pelas vítimas”.

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por João Manuel Rocha

Mikel sentiu a frustração durante a ofensiva israelita sobre Gaza, em 2014. “Não pode ser que estejam aqui todas as câmaras do mundo em directo e que não aconteça nada”, dizia para si próprio.” “Estás ali, trabalhas, denuncias o que vês e dás-te conta que o teu trabalho não serviu para nada”. Será assim? O jornalismo é inconsequente ou pode fazer mudar alguma coisa? “Guerras de ayer e de hoy” ajuda a pensar em possíveis respostas.

Mais do que sobre a guerra, que mudando embora os meios, as condições e as pessoas, continua na essência a ser o mesmo – como diz a páginas tantas um dos interlocutores – é sobre jornalismo e algumas das suas encruzilhadas; e um mundo que parece ter deixado de se indignar e é incapaz de dedicar mais do que três dias de atenção a cada assunto

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