António Batel Anjo

Doutorado em Matemática, co-fundador do PmatE e do Pensas na Universidade de Aveiro. Assessor do Ministro da Educação de Moçambique. Fundador e director executivo do ONG Moçambicana Osuwela e director de investigação e extensão do ISCTEM (Instituto Superior de Tecnologia e Engenharia de Moçambique).

Falar do Projeto Pensas é falar de cooperação e de educação para o desenvolvimento. O Projeto Pensas, como projeto de cooperação e educação para o desenvolvimento cumpre assim, fidedignamente, os desígnios quer de uma quer de outra palavra. É um projeto de cooperação porque aposta, em todas as suas ações e intentos, no trabalho colaborativo e de equipa, ligando e aproximando dois países distintos como Portugal e Moçambique e outros que partilham a Língua Portuguesa como língua oficial, sem, em momento algum, assumir uma atitude impositiva. É um projeto cujo trabalho visa o desenvolvimento porque crente num progresso fundamentado na partilha de saberes e de experiências.

Os princípios orientadores da sua existência e atuação assentam, assim, na crença na evolução de um país pelo investimento máximo e plurifacetado na educação: é este o pilar precípuo desta construção.

O Projecto Pensas assume os seguintes objectivos: 1. Criação de laços estratégicos; 2. Equidade e coerência: Os Centros Pensas; Participação ativa e persistência: Formação Inicial; Curso de Especialização em Línguas e Literaturas de Expressão Portuguesa; Mestrado em Línguas e Literaturas de Expressão Portuguesa.Informação e inovação: os recursos didáticos. Abrangência na lusofonia: Bienal de Aprendizagem da Matemática, Português e Tecnologias.Dinâmica e diversidade na aprendizagem informal e não formal: o caso das ciências experimentais e da bancada móvel da ciência. Progressão sustentada: Competições Regionais. Cumplicidade e diálogo no processo de avaliação: reuniões de Centros. Comunicação e Transparência.

Sem exagero, pode-se afirmar com segurança que o Pensas é reconhecido por toda a comunidade académica e, nas localidades onde existem Centros, estes são apontados como sendo locais onde se faz formação de qualidade. Neste capítulo é imperioso referir o Colégio Académico da Beira, na Cidade da Beira, que se transformou na sede do Pensas. O ISCAM – Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique, que é a base em Maputo ao Pensas, onde estão instalados alguns equipamentos para demonstração e formação. A Bytes&Pieces, empresa moçambicana de informática sediada em Maputo que, além de todo o suporte que fornece aos Centros, aloja e faz manutenção dos servidores do Pensas. A Embaixada de Portugal e os serviços da Cooperação cujo trabalho junto do Ministério de Educação e Cultura tem ajudado a ultrapassar muitos obstáculos.

A colaboração com a DINES – Direção Nacional do Educação Secundário, em especial com os seus Técnicos Pedagógicos. A colaboração com o Departamento de Formação foi também fulcral para que toda a formação alcançasse os seus objetivos.

A colaboração com o INDE (Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação) tem sido no sentido do apoio às suas atividades de investigação e desenvolvimento de conteúdos na área da educação. O apoio dado à construção do novo curriculum de formação de professores dos IFP (Institutos de Formação de Professores) e à sua formação enquanto professores. O protocolo assinado entre a UniZambeze e a Universidade de Aveiro que nos permitiu assegurar o Mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Expressão Portuguesa, com certificação da Universidade de Aveiro, é a primeira aposta de relacionamento com uma Universidade pública em Moçambique.

Este potencial de inovação leva a que a mesma metodologia seja usada para outras áreas do saber tendo as competições organizadas abrangido as áreas da Matemática, Língua Portuguesa, Física e Biologia. O seu desenvolvimento permitiu que a competição entre equipas de alunos pudesse incluir escolas dos dois países – Portugal e Moçambique. E que se desenvolvesse uma relação entre escolas (geminação que hoje é um projecto próprio de nome OutClass) que envolve professores e alunos numa troca de experiencias de vida muito além da aprendizagem das matérias dos níveis de ensino. Em Portugal o jogo começou a ser usado para os alunos de cursos universitários com pouca matemática se prepararem para exames. Em Moçambique os professores apoiam se nele para melhorarem os conhecimentos nas matérias incluídas.

É assim um projecto que evolui em simultâneo nos dois países, aproveitando o que se faz num para a evolução do outro e vice versa; com uma componente forte na familiarização na tecnologia das crianças e jovens que participam, com a construção de uma ligação à aprendizagem positiva da matemática  e com uma participação dos professores   que ajuda também à sua própria evolução. É um projecto de Cooperação onde todos os participantes / parceiros ganham. É também um projecto onde a inovação permanente na invenção de novos problemas / perguntas a incluir no jogo se torna um imperativo positivo muito invulgar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este projecto demonstra também que a visão de curto prazo de três ou quatro anos em projectos com impacto estrutural é redutora e tem como consequência a sua inutilidade quando acaba sem ter tempo para que as instituições se apropriem do mesmo. Como diz João Caraça “O novo não nasce por geração espontânea. Tem de ser criado, protegido, amparado, fortalecido e, então talvez possa singrar, medrar e surgir como inovação ou, em casos mais raros, como factor de revolução.” (Revista de Janeiro, TAP, pág.120)

Bibliografia

 

Batel Anjo, A., E. Peixoto, “Geo@NET in the context of the Platform of Assisted Learning from Aveiro University”, Handbook of Research on Serious Games as Educational, Business and Research Tools, ISBN 978-1-4666-0151-2, 2014.

 

Batel Anjo, Pita, S., Agostinho, N., “Digital Emigrants” and their relation with web 2.0. Edulearn 09, Internacional Conference Education and New Learning Technologies. Barcelona, Espanha: IATED – International Association of Technology, Education and Development, 2009.

Batel Anjo, A., Gaspar, R., Silva, A. “Learning in a Web-Based Environment — Outclass Project”, IST-Africa 2007 Conference Proceedings, Paul Cunningham and Miriam Cunningham (Eds) IIMC International Information Management Corporation, ISBN: 1-905824-04-1, 2007.